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Haja-yoga: Hatha-yoga, Karma-yoga, Gnani-Yoga e Bakti-yoga
A palavra Yoga tem um amplo sentido e alcance. Ela vem da raiz sânscrita Yug, que quer dizer conexão, união, com Deus, com o Uno, com o Self. Compreendido dessa forma, a Yoga é a meta a ser atingida e, queiramos ou não, estamos todos indistintamente, realizando a cada dia, cada qual com suas próprias experiências, esta união que permite a religação de cada um com o seu Deus Interior. O caminho de união proposto consiste de oito etapas que foram sistematizadas por Patañjali, como continuador da filosofia Samkhya e autor do Yoga Sutra:
“ O Yoga é um sistema que propõe a união ou religari entre o Humano que estamos sendo neste espaço e tempo (Atman) e o Ser (Paramatman), que não possui origem nem fim, e simplesmente É. Essa união se dá por meio da consciência, e como a consciência é o conjunto acumulado de experiências, o caminho do yoga desenvolve as faculdades de que a pessoa humana tenha experiências finas e profundas e com elas possa nutrir a alma. A experiência do yoga é a experiência da Verdade. Essa experiência não é fuga da realidade, e sim a confrontação absoluta com esta até as últimas conseqüências. Não pode ser conhecida como algo externo a nós mesmos, mas como uma experiência individual e intransferível.” ( )
A Yoga tem várias ramificações, mas quatro delas são cogitadas no esforço no sentido de ampliação da consciência e da qualidade da religação: Hatha-yoga - que abrange as posturas corporais, as ásanas; a Karma-yoga - é a yoga da ação, que envolve a trama de relações de crescimento interpessoais que são interdependentes e se auto-reforçam; a Gnani-yoga - que é a yoga do auto - conhecimento, abrangendo os processos ligados à apreensão da sabedoria; e Bakti-yoga - que é a yoga em seu aspecto devocional, místico, religioso. Essa é a síntese destes quatro caminhos – a Haja-yoga.
A Haja – yoga, que se procura desenvolver e aplicar nos trabalhos, envolve: os cuidados com nosso corpo - através da alimentação, higiene pessoal e exercícios físicos; trabalho sobre o plano emocional, procurando desenvolver um sentido ético, de profunda fraternidade universal e de amor incondicional, despertando a capacidade de doarmo-nos desinteressadamente visando o bem comum; a reflexão detida e a realização de estudos e o desenvolvimento de nossa capacidade intelectual e intuitiva e o esforço no sentido da percepção do sagrado em tudo, em todas as manifestações de vida e através da prática de cerimoniais que visam a elevação espiritual.
Embora possamos nos sentir atraídos por alguma linha específica da Yoga, de acordo com o nosso próprio temperamento, é muito natural que comecemos este caminho pela Hatha-yoga, a yoga do corpo físico. A prática sistemática das ásanas permite uma ação estimulante sobre as glândulas endócrinas e sobre os plexos nervosos. A adequada ressonância energética se obtém mediante a realização de posturas especiais, com a associação de concentrações em pontos especiais denominados chakras e a realização de respirações ritmadas (phranayama). Os chakras são os vórtices de energia que todos os seres dispõem e cujo estímulo permite facilitar o alcance de níveis diferenciados de percepção da realidade.
Ha, que significa sol, representa as forças ativas, positivas, estimulantes, que impulsionam. Representa a própria expansão das forças centrífugas em direção ao cosmos e que expressa a eterna busca da Liberdade. Tha, a Lua, nos leva a refletir sobre a existência da polarização e da oposição de forças negativas, inibidoras e passivas. Todavia, representa a necessária contração de forças centrípetas e a busca do mais interno, que nos leva a alcançar o Amor. Hatha-yoga, significa o equilíbrio dessas pulsações dos dois opostos em nós, o positivo, com sentido expansionista – yang, e o negativo - ying, com sentido para dentro, na busca do amor universal que nasce no âmago de cada pessoa (no Manipura, Chakra Cardíaco que enfeixando e representando no centro do corpo, os demais Chakras, sintetiza o amor universal), harmonizando-nos em todos os níveis, para uma nova percepção da vida, no seu sentido mais verdadeiro e no sentido da plenitude a ser alcançada nos estados de contemplação e silêncio, em contato e sintonia com o Samadhi.
Para realizar a experiência de Yoga é necessário um método organizado que permita o desenvolvimento da experiência da Verdade. Patanjeli foi quem sistematizou o método da Yoga tal qual como conhecemos hoje. Essa sistematização engloba oito etapas que abrangem a prática do Yoga.: os aspectos constitutivos são resumidamente: 1. Yama (propósito de vida, como não-mentir, por ex.), Niyama (atitude de não violência), 3. Ásana (postura para o corpo visando ativar os centros energéticos), 4. Pranayama (controle da respiração), 5. Pratyahara (controle das emoções e aceitação do inevitável), 6. Dharana (meditação), 7. Dhyana (estado de diluição das dualidades) e 8. Samadhi (unidade total da pessoa de seu “ego” com o Ser total, aqui e agora).
Yama é um nome coletivo que designa propósito de vida, condutas morais e engloba a não-violência - ahimsa, a verdade acima de tudo - satya, a não-subtração ou roubo - asteya, a continência sexual - brahmacharya, a não-cobiça ou avareza - aparigraha. O yogi é pacifista, é estritamente verdadeiro e honesto consigo mesmo, controla seus pensamentos, desejos, reduz suas necessidades e evita o supérfluo, dessa forma tem tudo pois as coisas vem a ele sem que ele as peça. o desejo é seguido pela avareza que leva à mágoa se não consegue aquilo que se quer
Niyama são regras para auto-purificação virtudes que acalmam a mente, trazendo paz interna e externa, sendo elas: pureza - saucha, contentamento - santosa, austeridade - tapas, estudo das escrituras – svadhyaya - e entrega de todas as suas ações ao divino - Isvara pranidhana. Na falta dessas regras, afloram os seis demônios, conhecidos como: paixão - kama, raiva - krodha, greed-lobha, inculpação - moha, orgulho - mada, malícia e inveja - matsarya. A austeridade disciplina o corpo para enfrentar adversidades, direcionando a mente para o Self. E à entrega das ações ao Divino, atendo-se a vontade Dele.
Ásanas são posturas ou posicionamentos corporais, que permitem exercitar as regiões energéticas – vórtices ou chakras - mediante contorção da coluna, alongamento muscular, estiramento de membros, inversão gravitacional, sempre entremeados de exercícios respiratórios e da concentração do esforço de retenção – banas e que permitem purificar o corpo e a mente e possuem efeitos preventivos e curativos, propiciando saúde que se expressa no delicado equilíbrio das dimensões física, emocional, mental e espiritual. Propiciam ainda beleza, força, firmeza, luminosidade, clareza na expressão da fala, calma, alegria e disposição. São inúmeras e atuam em todos sistemas do corpo humano (respiratório, glandular, sanguíneo, nervoso, etc). Por meio da prática de Ásanas, o ser humano supera as dificuldades físicas e distrações da mente e abre as portas para o espírito.
Prahnayama é a alongamento ou encurtamento consciente da inalação, retenção e exalação. Com a inalação recebemos a energia primal universal, com a retenção pode-se segurar a energia para que ela se infiltre e se distribua pelo corpo. Na exalação você se expande na direção do universo e todos os pensamentos e emoções são esvaziados junto com a respiração. Então quando os pulmões estão vazios acontece a entrega para a energia primeira, Atma. A prática do pranayama produz mente direcionada, força de vontade e juízo.
Pratyahara, disciplina para estabelecer controle sobre a mente e as emoções. A mente é dual. Por um lado ela procura gratificar os sentidos, e por outro, unificar com o Ser. Assim, pratyahara aquieta os sentidos e encaminha-os para o interior, guiando o aspirante ao Divino.
Dharana é a concentração num ponto único com absoluta atenção no que se está fazendo, e mantendo-se a mente imóvel. Isso estimula a consciência interna para integrá-la com o fluxo da inteligência cósmica e libera todas as tensões.
Dyana, e a dharana praticada por longo tempo, torna-se um processo de meditação. Trata-se de um indescritível estado de experiência que precisa ser experenciado para ser compreendido.
Samadhi é o estado de dhyana mantido de forma desconexa com a idéia de tempo-espaço. Acontece o samadhi,quando se perde a identidade de si mesmo, perdendo-se a consciência do corpo, da respiração, da mente, da inteligência individualizada e do ego. Vive-se em infinita paz. Nesse estado, a sabedoria e a pureza, combinadas com a simplicidade e a humildade, se sobressaem e sobrevêm a iluminação, que é o que busca aquele que se encontra no caminho da verdade. |
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