Tai – Chi – Chuan  (Taijiquan)

O Taijiquan, cuja sonoridade em termos ocidentais é Tai-Chi-Chuan, representa uma das tradicionais artes marciais da China. É também um dos seus desportos tradicionais,  e que contribui significativamente para o fortalecimento da constituição física, prevenção e tratamento de algumas doenças crônicas. Pode-se dizer que se trata de um ramo do Wushu e que é geralmente conhecido com o nome de Kungfu

Segundo alguns autores, teria nascido em Chenjiagou, no distrito de Wenxian, remontando há cerca de trezentos anos, no final da dinastia Ming e inicio da Qing, tendo incorporado ricas contribuições Chen Wangting, um comandante aguerrido da região.

De notável e inovador, tem-se que nos estilos de luta anteriores enfatizavam os movimentos vigorosos e rápidos, a potência dos golpes, enquanto esse novo estilo passou a adotar o princípio zen de opor ao forte, o fraco ou o destituído de força física. Os movimentos, então, tornaram-se enérgicos, mas graciosos, uns rápidos e outros lentos, mas seqüencialmente e de forma ininterrupta. Compunha-se originalmente de oito posições básicas das mãos e cinco posições maiores e mutáveis e daí tendo sido denominado estilo das treze formas.

No século XVIII, Wang Zongyue, sistematizou a seqüência e, mais importante, correlacionou-as às suas pesquisas da filosofia tradicional chinesa, acentuando os dois princípios opostos na natureza, o Ying e o Yang, que expressam a dualidade de gênero e da carga energética e a partir daí espalhou-se rapidamente por toda a China, pois encontrou respaldo cultural.

Por pressupor fluência, descontração, leveza e graciosidade “como nuvens que transmutam e águas dos riachos que fluem”, obteve, também, sucesso entre as mulheres e entre as pessoas idosas, pois que fortalece o corpo e o espírito, sem exigir preparo físico e muito esforço. Algumas escolas adotam movimentos ainda mais lentos, uniformes e leves, em que os percursos dos longos gestos dos membros e do corpo e pelos quais se desenham no ar parábolas e graciosas linhas curvas, passou a receber a denominação de Da Jia – que expressa a Grande Estrutura., ou como se o gesto expressasse, em si, um Yantra ( ).

Pois é exatamente uma  ordem partida do cérebro que produz o movimento para frente e outra simultânea  que ordena para trás, ou estabelecendo a chamada “câmara lenta” (como na filmografia, quando se limita a passagens das “quadrículas com as foto imagens”) com o que se retarda também o movimento dos braços e das pernas, de forma controlada pela mente – quando se estabelece a contraposição das duas forças, de impulsão e de retração, Yang e Ying.

Já na ginástica comum, os braços são rodados vertiginosamente, com o que se adquire tônus muscular acumulado pelo vigor físico enaltecido e num sentido único de movimento frenético. Com isso tem-se o enrijecimento dos músculos. No Taijiquan a pessoa não retesa e não perde o controle dos gestos, com o que, convive com um estado profundo de relaxamento e de estado meditativo. Ao final não se tem o enrijecimento, mas a flexibilidade dos músculos, que contraídos se tornam rijos, mas relaxados se tornam flácidos. O fisiculturista diferentemente não relaxa nunca, está sempre em estado de tensão muscular e que são mantidos com anabulizadores, com danos irreversíveis  para os tecidos e o a harmonia psico-neurológica. Assim, passam a ser importante no Taijiquan:

  •  a atitude do praticante durante a execução, de absoluta desconcentração, agilidade e flexibilidade, pois comporta-se com um gato, que sai do estado de dormência para o salto inesperado;
  •  a respiração é profunda e lenta, e é com tranqüilidade que coordena os movimento de abrir e alongar, fechar e contrair (apenas para firmeza das pernas, no início, pois com o tempo ela o mantém estável mesmo estando relaxadas) os membros e o corpo;
  •  a atitude mental é de vigília em  equilíbrio, em que o estado de consciência comanda o corno e não permite desatenção, fica-se centrado todo o tempo, senão perde-se a fluência; e
  • manutenção da coordenação perfeita dos movimentos ao longo de todo o exercício, envolvendo as mãos, olhos, corpo e membros, como um todo, e em que a cintura funciona como eixo de rotação e a pélvis, joelhos e as pernas como base de apoio.

O fato se treinar simultaneamente a mente e o corpo, estimula-se ativamente o córtex cerebral, causando um acréscimo de atividade neurológica (sinapses) em certas áreas pouco incentivas e influxos de inibição, de proteção e prevenção em outras, que normalmente são muito ativadas e que  são sedadas nesses momentos. Assim, o cérebro é ativado, mas também lhe é dado um tempo para descansar, libertando o córtex cerebral da excitação patológica causada pelos estados de doença, e assim, auxiliando a curar determinadas perturbações nervosas e doenças mentais. O córtex, aliás, é praticamente posto de lado, pois o movimento, ainda que sob controle mental, acaba sendo comandado como se num entoando com o corpo um mantra repetitivo, quase inconscientemente, mas em estado de alerta profundo, em que porções do tálamo, hipotálamo, pineal e pituitária, são ativados, como centros de percepção e ligação do consciente, com o inconsciente e uma sensação de pertencimento com o cosmos.  

No geral há um efetivo processo de prevenção de doenças e recuperação das funções normais de todo o corpo e as pesquisas realizadas, na China em grupos de trabalhadores de empresas, sob controle, com inserção de práticas de Taijiquan demonstraram o quanto é  eficaz no nível da melhoria dos padrões de coexistência harmônica das pessoas, consigo próprias e nas suas relações em torno do trabalho, na família e na comunidade.