A capoeira angola surgiu nas senzalas brasileiras, inspirada em uma dança chamada N’golo, de Angola. Já nasceu com uma forte conotação de busca de liberdade, de luta contra a opressão, de movimento orientado no sentido de garantir o respeito pelas minorias étnicas, pois que nasce com fundamento no não sucumbir à pressão da sociedade envolvente, opressiva e cruel. Foi reprimida desde o início, resistindo desde a época que era vinculada aos escravos fugitivos, passando pela marginalidade nos novos centros urbanos, até o período pós - Vargas, quando a capoeira foi legalizada e passou a ter nas academias um reduto aceito inicialmente com preconceito e hoje com crescente e estimulante adesão. Nesse último momento surgiu uma nova modalidade, a capoeira regional que se popularizou e atingiu o status de luta brasileira. A capoeira angola entretanto, continuou com sua essência, e manteve os seus preceitos pautados na cultura africana, mais especificamente no povo Bantu, com respeito à ancestralidade, às tradições e à trajetória do negro e da cultura afro-brasileira no Brasil e em diversos outros países que tiveram migração e expressiva contribuição do continente negro na sua formação histórico – cultural. A capoeira angola não é tida simplesmente como um esporte, mas sim uma prática que busca preservar esse complexo arte-dança-luta-filosofia-cultura, onde o corpo não se dissocia da mente e do espírito. Há quem diga que a angola é o tai-chi-chuan da cultura brasileira. A sua prática promove um equilíbrio emocional, trabalha a leveza e promove a maior sociabilidade entre os povos, estabelecendo vínculos intra e inter-étnicos, sempre com vívida atenção e com respeito às diferenças. “ (…) capoeira é pra homem, menino e mulher” (d.p.) - “ (…) joga general, também doutor, capoeira de angola só não joga quem não quer” |
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