Capoeira Angola

   A capoeira angola surgiu nas senzalas brasileiras, inspirada em uma dança chamada N’golo, de Angola. Já nasceu com uma forte conotação de busca de liberdade, de luta contra a opressão, de movimento orientado no sentido de garantir o respeito pelas minorias étnicas, pois que nasce com fundamento no não sucumbir à pressão da sociedade envolvente, opressiva e cruel.

Foi reprimida desde o início, resistindo desde a época que era vinculada aos escravos fugitivos, passando pela marginalidade nos novos centros urbanos, até o período pós - Vargas, quando a capoeira foi legalizada e passou a ter nas  academias um reduto aceito inicialmente com preconceito e hoje com crescente e estimulante adesão. Nesse último momento surgiu uma nova modalidade, a capoeira regional que se popularizou e atingiu o status de luta brasileira.

   A capoeira angola entretanto, continuou com sua essência, e manteve  os seus preceitos pautados na cultura africana, mais especificamente no povo Bantu, com respeito à ancestralidade, às tradições e à trajetória do negro e da cultura afro-brasileira no Brasil e em diversos outros países que tiveram migração e expressiva contribuição do continente negro na sua formação histórico – cultural.
 
   O ritmo da angola é lento e requer movimentos que pressupõem destreza, agilidade e boa compleição e conformidade física dos protagonistas. Apresenta-se mediante um gestual ondulante e variado junto ao solo e a partir deste, são as pernas e braços, serpenteando ritmicamente, lançados para os lados e para cima de forma genuinamente defensiva, vezes as duas pernas sendo imobilizadas completamente no ar, vezes aparando eventuais e imaginários golpes desferidos de cima e dos lados e que resultam numa dança esteticamente atraente, que se realiza, inclusive, consigo próprio, tanto quanto com quem se defronte.
 
Há como fundo, uma forte marcação realizada por sete instrumentos diferentes, que compõem  a bateria. Há uma série de repetições onde um tocador canta e os demais respondem em “coro” e que lembra a cantilena dos mantras. As letras tem um cunho de constatação de fatos históricos e/ou apenas contam histórias e induzem a brincadeira e / ou a luta.

A capoeira angola não é tida simplesmente como um esporte, mas sim uma prática que busca preservar esse complexo arte-dança-luta-filosofia-cultura, onde o corpo não se dissocia da mente e do espírito. Há quem diga que a angola é o tai-chi-chuan da cultura brasileira. A sua prática promove um equilíbrio emocional, trabalha a leveza e promove a maior sociabilidade entre os povos, estabelecendo vínculos intra e inter-étnicos, sempre com vívida atenção  e com respeito às diferenças.

 “  (…) capoeira é pra homem, menino e mulher” (d.p.) -  “  (…) joga general, também doutor, capoeira de angola só não joga quem não quer”