Aikidô – Budô

O Budô, assim como o Yoga,  são sistemas  que transformam a arte marcial no meio de atingir a auto-realização ou para o  encontro consigo mesmo. Pressupõem as dimensões do corpo, emoção, mente e espírito integradas de uma maneira consciente.

O termo Budô tem origem na palavra Bushido, ou caminho do Samurai. Está associado ao Shintoísmo, no qual “Shin” significa Deus e “To” significa caminho. O Shinto pressupunha seguir o caminho do Perfeito para auto-perfeição. O termo Budô, também significa caminho dos deuses, onde os ideogramas “Bu” significa “Divino” e “Do”, caminho. Do, não é somente técnica, também significa, abaixar a espada, cessar o combate. Praticar o Do envolve educar o ego e para o entendimento profundo da própria mente,  agir em harmonia e abandonar o egoísmo.

No ocidente o termo artes marciais é usado para caracterizar um grande conjunto de sistemas de combate e esporte asiáticos. Alguns são realmente sistemas de combate, outros são caracterizadas por sistemas religiosos ou civis, como métodos de auto-defesa, esporte  e desenvolvimento espiritual.

Exemplos de sistemas combativos desenvolvidos por guerreiros podem ser os criados pelos hwarang ou pelos samurais do Japão Feudal. Na linha religiosa, o monge Bodhidarma introduziu o Budismo na China (século 6), fundou uma longa tradição de arte marcial no templo Shaolin, e é considerado o  pai da seita Ch´an (Zen em japonês) budista, cujos praticantes aspiram a iluminação por meio da meditação. Na linha da auto-defesa, tem-se o Karatê, como exemplo. Esse sistema desarmado nasceu na ilha de Okinawa, Japão, influenciado pelo  templo Shaolin e se difundiu porque o seguidor podia prescindir de armas, usando tão-somente os pés e as mãos para defender-se de ataques: o guerreiro deveria entrar numa batalha esquecendo-se de tudo e estando atento a si mesmo e ao outro, a mente deveria estar clara e limpa, nem morte, nem vida, somente o presente.

Os sistemas combativos Japoneses dividem-se em dois tipos. De um lado aqueles desenvolvidos por guerreiros para uso em combate são chamados de bujutsu, que significa arte marcial. De outro lado, os sistemas budô - caminho marcial - desenvolvidos a partir dos sistemas jutsu, porém com ênfase no desenvolvimento do ser humano. Enquanto o praticante de bujutsu enfatiza o aprendizado de como ser bem sucedido em combate, o real praticante do budô utiliza o sistema de combate como um meio de aperfeiçoamento do corpo, mente e espírito.
  
“O código Bushido , tem origem na fusão do Budismo e do Shintoismo, refere-se a conduta de um Guerreiro de Honra, é que se  conhece como um código estrito , o Código do Samurai . O Samurai que exercia grande domínio sobre si mesmo, era dotado de qualidades indispensáveis: capaz de auto-sacrifício, valoroso, honorável, reto, justo, misericordioso, verdadeiro, cortez e leal, enfim dotado da virtude e de Honra . É capaz de conhecer as próprias limitações, dominá-las e expandi-las através da disciplina, do treinamento constante, do estudo  e da meditação. A arte marcial  treina o corpo e as emoções, porém o Zen traz o método de acalmar e mente e libertar o espírito.

O Aikidô, tem como fundador, Morihei Ueshiba, é também um Budô, onde o termo Ai, significa incluir e harmonizar e Ki, significa energia ou espírito fundamental. Aiki é o princípio universal que mantém todas as coisas juntas e em ordem. É o processo de unificação e harmonização que opera em tudo, desde a vastidão do espaço, até a menor partícula. Aiki reflete a grande estrutura do cosmos; é a força da vida irresistível poder que une a matéria e o aspecto espiritual da criação. Aiki é o fluir da natureza. Aiki significa união do corpo e do espírito e é a manifestação da verdade. Aiki permite que harmonizemos o céu, a terra e o ser humano.

Além de técnicas de imobilização, ataque e defesa, o Aikidô possui exercícios de purificação, Misogi, de respiração, meditação e mantras - kototama.

O Budô, assim como o Yoga constituem caminhos para a auto-realização. Hoje não mais são necessárias as batalhas externas, a grande batalha ocorre internamente, quando se está diante de: como e quando agir, da superação dos desejos consumistas, do controle das emoções, da mente e do corpo, da superação da separatividade, da abertura de espaço para a compaixão. Para ser melhor como ser humano é necessário disciplina e entrega ao caminho. O guerreiro de antigamente treinava para a morte. Os de hoje treinam para a vida, para servir a vida e aos seres humanos. Para que tornem-se dignos e se auto-realizem.

Correlacionando os passos do Yoga e o Budô tem-se: Yama – O guerreiro deve servir a vida e a comunidade; Nyama – “O objetivo do treinamento é forjar o corpo e polir o espírito. Pressupõe o treinamento da mente, do corpo e do espírito para suportar de maneira consciente a união com o SER. O Yogi, assim como o guerreiro treina para alcançar a pureza nos atos e pensamentos; Ásanas – Aprender a lidar com o Ki, energia básica do ser humano segundo os orientais, faz parte do treinamento do guerreiro. “Quando a postura (forma e força) é perfeita, o movimento que se segue também é perfeito; Pranayama – A respiração é o que conecta o corpo, a mente, as emoções ao espírito. “Inspire e eleve-se aos confins do Universo; exale e traga o cosmos para dentro” . Pranayama – Estado de presença imperturbável pelos sentidos. “Não se fixe nos olhos do adversário, ele pode te hipnotizar. Não se fixe na espada dele, ela pode te intimidar. Não foque no seu oponente, ele pode absorver sua energia.”; Dharana – Manter a mente clara, limpa e concentrada.

Dhyana – “Abandone os pensamentos limitantes e retorne ao verdadeiro vazio. Coloque-se no meio do Grande Vazio.”; Shamadhi – “Una-se com o Céu e a Terra; Permaneça no centro, com o coração receptivo ao movimento do eco da montanha.” . Se não nos apegarmos aos pensamentos e deixarmos eles irem, a substância da nossa mente torna-se imóvel. A substância do ego e da mente tornam-se Deus ou Budha, isso é a mente Zen, ou Satori.